IV Semana  da Comunicação  da
Universidade Candido Mendes Tijuca

23 a 26 de outubro de 2006

 

O mercado de trabalho está cada vez mais seletivo e exige formação superior profissionalizante. Todavia essa decisão não assegura emprego ao recém-formado. Motivação, perseverança e aprimoramento são atitudes da ordem do dia para quem deseja encontrar seu caminho. A IV Semana de Comunicação trouxe profissionais para falar do assunto. Confira agora eles classificam como as novas tendências do setor.

 

 

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Os palestrantes Marisa Gonçalves e Marcello Silva.
Ênfase no Mercado de Trabalho

Orientação e formação para o mercado de trabalho. Com este enfoque, a IV Semana da Comunicação foi produzida e realizada no período de 23 a 26 de outubro último, no Tribunal do Júri, na unidade Tijuca. As palestras de profissionais do mercado e de ex-alunos que conquistaram seu “lugar ao sol” trouxeram para os graduandos novas tendências do mercado e informações de como devem proceder para conquistarem seu espaço.

Abrindo o evento, no dia 23, apresentou-se a palestrante Marisa Gonçalves, psicóloga e consultora da empresa Red Hunter - Consultoria e Recrutamento. Ela traçou o perfil profissional que as empresas procuram atualmente no mercado.

Marisa explicou que a partir de 1990, com a implantação de diversas normas e programas de qualidade (ISO etc.) e o combate ao desperdício, as empresas modificaram sua forma de atuação e escolha de profissionais, passando a valorizar o desempenho individual e em equipe de seus contratados. Os candidatos valem pelas competências que demonstram possuir – técnicas, comportamentais, profissionais. “As empresas analisam se ele é flexível, se sabe ouvir e trocar com os outros, se possui autonomia decisória, se tem orientação para resultado, se é bom no atendimento ao cliente, se trabalha bem em equipe, se possui habilidade interpessoal”, resumiu. Outra habilidade bastante valorizada é a gestão do estresse e se consegue trabalhar sob pressão.

Para aqueles que ingressam no mercado de trabalho, ela aconselha prepararem um bom currículo, claro, objetivo, no qual constem informações profissionais (caso possua), formação acadêmica (indicando o turno, se em curso), telefone de contato. O currículo deve possuir no máximo três folhas, com destaque para a função à qual a pessoa se candidata. Ela reforçou a necessidade de adaptar o currículo conforme o cargo pleiteado e que é desnecessário anexar foto. “A preparação para entrevistas também é fundamental, a começar pela roupa escolhida, que deve ser simples, neutra – esporte fino para homens e mulheres – a fim de evitar interpretações equivocadas. Da mesma forma, o candidato deve ater-se ao que lhe é perguntado, e responder apropriadamente às perguntas, porque cada resposta sua é avaliada e pode representar seu fracasso”, concluiu Marisa.

O segundo a se apresentar foi Marcello Silva, responsável pela área de Desenvolvimento de Novos Negócios da Agência de Propaganda e marketing Giacometti / Thinkers. Ele comentou que no setor de Comunicação em geral, o candidato a um emprego precisa ter facilidade de produção textual.

Marcello analisou o setor de publicidade e propaganda e explicou que há uma grande dificuldade no mercado de entender o papel do publicitário e a finalidade das agências de propaganda. “A Agência de publicidade não é uma indústria, não vende produtos acabados, não possui estoque de idéias e não faz liquidação ou sazonalidade. Por isso não é possível sair do nada com idéias mirabolantes. É preciso conhecer o cliente e seu mercado e as especificidades suas e da concorrência a fim de elaborar campanhas. Somos empresas que lidam com a criação, com o conhecimento,  somos especialistas em transformar objetos de marketing em objetos de comunicação, em trabalhar para agregar valor a uma marca”, esclareceu à platéia.

Segundo Marcello Silva, um dos maiores entraves da profissão está em descobrir formas de atender ao cliente satisfatoriamente, mantendo a personalidade da agência e do publicitário. É fundamental que seja realizada uma boa pesquisa sobre as necessidades e desejos do cliente, bem como os dados da empresa, o histórico e os problemas que enfrenta, a fim de propor estratégias de marketing e campanhas publicitárias que o atendam. O publicitário tem de saber combater possíveis interferências externas advindas de familiares e não profissionais, que prejudicam a decisão do cliente.

Ele acrescentou que as agências de publicidade estão organizadas nos setores de produção, mídia, criação, atendimento, sendo que o setor que mais abre vagas para estágio é o de atendimento. É o setor que abre caminho para o marketing, propicia o reconhecimento. Nos setores de criação e produção as vagas são para os melhores, para os que se destacam. Somando-se a estas quatro funções, está a função de planejamento que busca otimizar todas as demais.

Outra função importante é atendimento a novos negócios. Seu objetivo é envolver o cliente. A profissão no Brasil é exercida em três grandes setores: agências, fornecedores, veículos de comunicação.

Marcello indicou a necessidade de ampliar os horizontes pessoais como forma de ampliar o currículo profissional, por isso “visitar exposições, ir ao cinema, ao teatro, a shows etc. Essa exposição a diferentes influências agrega informações importantes ao seu acervo pessoal”.

Faro e Perseverança: as Chaves para o Sucesso Profissional

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Vinícius Rocha, da Calvin Consultoria Criativa.
O dia 24 teve a presença de Vinícius Rocha, da Calvin Consultoria Criativa, que soube envolver a platéia com simpatia e a participação de alunos em um bate-papo animado. Ele destacou que o grande filão do mercado para jornalistas e publicitários está no interior dos estados, pois as cidades estão crescendo e nem sempre há profissionais especializados disponíveis. Esse fato se deve igualmente à escassez de boas universidades nessas regiões, que provoca a migração de jovens para as metrópoles. Assim, o profissional que tiver visão deve “farejar” oportunidades em novos mercados e inovar sempre.

Rocha também ratificou a importância de estar aberto às diferentes manifestações culturais, adquirir o hábito de viajar, ler os grandes clássicos, periódicos, e aguçar a curiosidade sobre assuntos diversos, para fomentar o poder criativo e a crítica pessoal. “As pessoas estão perdendo seu poder crítico porque não lêem, não valorizam a cultura e meramente reproduzem  clichês veiculados na mídia”, explicou.

Apresentou-se em seguida Paula Gomes, responsável pela Assessoria de Comunicação da Fundição Progresso. Formada pela Universidade Estácio de Sá há apenas um ano e meio, ela considera sua meteórica carreira fruto de um esforço pessoal muito grande, iniciado no primeiro período da faculdade, quando buscou seu primeiro estágio, em um jornal universitário. No segundo período, conseguiu estagiar no jornal do Partido Comunista, o primeiro remunerado e, como a “grana estava curta”, precisou trabalhar meio período em uma loja. Mesmo acumulando funções, ela não deixou de buscar estágios na área, e assim conseguiu ser chamada para uma entrevista na Fundição Progresso. Conquistou não apenas o estágio, mas o cargo em que atualmente trabalha, quando ainda não era formada.

Entre as funções de Paula Gomes está formar parcerias com a mídia, em prol da divulgação da agenda da Fundição, desmistificando a idéia de que o assessor precisa “implorar” para conquistar a boa-vontade dos veículos. “É possível conquistar espaço na mídia, por meio da organização de material de divulgação de Caixa de texto:  
Paula Gomes, da 
Fundição Progresso.
qualidade, que passe credibilidade ao mercado”, concluiu.

Evolução e Defesa de Mercado

O terceiro dia (25) do evento foi também o que concentrou o maior número de palestrantes: sete. O dia mais concorrido de público iniciou com Maurício da Cruz, diretor da empresa Info 4.

Com sede em São Paulo e uma filial no Rio de Janeiro com 85 funcionários, a empresa é responsável pelo monitoramento de mídia para empresas de diversos setores e atividades.

Maurício mostrou como sua agência evoluiu do tradicional clipping de papel para o desenvolvimento de softwares de clipagem eletrônica, capazes de monitorar e armazenar digitalmente diversas mídias. A informação é coletada em três turnos, que iniciam à uma hora da madrugada, a fim de preparar a primeira edição de newsletter que seguirá para os clientes às oito horas. É feita seleção, separação e classificação, conforme a empresa e o  departamento. A monitoração pode incluir concor-rentes, além de apurar a eficácia de informações enviadas pela empresa para os veículos. A cobertura abrange todo o país, contando com apoiadores em cidades mais distantes que coletam a informação nos veículos locais.

O envio pode ser feito por e-mail, acesso com senha a uma página específica, input via intranet, com recarga a cada hora. No final do mês há um relatório com informações como centimetragem, minutos em rádio e tv, comparação com concorrentes etc., variando conforme empresa e pacote. O serviço pode variar entre R$ 500,00 e R$ 80 mil.

Para montar essa estrutura, eles preferem contratar jornalistas, pois estes são capazes de classificar precisa-mente a informação. Maurício da Cruz considera que o serviço de monitoramento está em expansão e que pode ser feito por pequenas e grandes agências, conforme o porte dos clientes, porém é necessário que o candidato a empresário ou empregado esteja atento às novas tecnologias.

O segundo palestrante foi o jornalista Aziz Filho, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Aziz informou que está percorrendo as universidades e visitando os cursos de Comunicação, com o objetivo de aumentar o contato entre o Sindicato e os profissionais em formação, a fim de sensibilizá-los para as questões da classe.

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Aziz Filho, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.
O Sindicato tem lutado por questões como regulamentação profissional, salário-base, obrigatoriedade do diploma de jornalismo para funções que se encontram atualmente ocupadas por pessoas de outras carreiras. Aziz relatou que muitos donos de Universidades particulares não se preocupam em exigir diploma de jornalista para empregar professores e pessoal técnico nos cursos, o que compromete a formação dos estudantes e diminui o mercado para os profissionais. Tampouco a mídia preocupa-se em observar se o profissional é graduado em jornalismo, salvo algumas raras exceções, que ainda assim não se envolvem na luta pela regulamentação profissional e a formação de um Conselho, a exemplo do que existe em Medicina. Logo, o Sindicato encontra-se sozinho nessa batalha. A relevância do diploma é condição imprescindível para os destinos da profissão e para assegurar mercado a recém-formados e atuantes.

Outra luta na qual o Sindicato encontra-se engajado é contra a formação dos grandes conglomerados de mídia, empresas que monopolizam o mercado, impedindo o surgimento de novos grupos, controlam preços e mani-pulam a informação segundo seus interesses e de seus aliados. A criação de um Conselho de Jornalismo em mui-to facilitaria o controle dos tentáculos dessas instituições, resolvendo questões éticas, razão pela qual os grandes grupos não fazem questão de fortalecer a profissão. Uma conseqüência recente do enfraquecimento profissional foi a perda da função de assessor de imprensa para o profissional de Relações Públicas. Finalizando, ele convidou os estudantes a fazerem sua pré-sindicalização, visitando o site www.jornalistas.org.br, para mais informações.

Fechando o dia compareceram cinco ex-alunos recém-formados e que conseguiram fazer valer seu diploma e exercer a profissão a qual almejaram. Foram eles: João Marçal, chefe da Assessoria de Comunicação da Prefeitura do Rio de Janeiro; Rodrigo Rocco, editor do jornal Folha Dirigida e da Biblioteca do Concurso; Aline Pereira, repórter de esporte do site Globo.com; Elaine Araújo, coordenadora do site canalfluminense.com.br, onde possui a coluna “Diário de uma torcedora não compreendida”, todos formados pela Ucam, e ainda, Rafael Marques, formado pela Universidade Pinheiro Guimarães, que trabalha na Rádio Globo.

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Simone Botto (O Dia);  
Em comum a história de todos tem um ponto convergente: é necessário fazer estágio desde o início do curso para ter a oportunidade de aprender prática e teoria integradas. Esse caminho aumenta em muito a inserção profis-sional e traz vivência. Muitos dos estágios não eram remunerados, mas foram nesses que eles confessaram ter adquirido mais experiência e tiveram a oportunidade de “colocar seu trabalho na vitrine” e serem notados.

Reposicionamento de Mídia e
Abertura de Novas Possibilidades

O dia 26, encerramento da Semana, contou com a presença da publicitária Simone Botto, gerente de Marketing do Grupo O Dia, que apresentou dois jornais do grupo – O Dia e Meia Hora.

Há 55 anos no mercado, O jornal O Dia, passou, em 2005, por um processo de reformulação total – estética e de conteúdo – a fim de competir diretamente com o jornal Extra (Grupo O Globo). A monumental campanha incluiu trazer novos colunistas, reformular a redação das matérias, o desenvolvimento de três revistas encartadas semanais e a mudança de diagramação e do logotipo. O jornal atinge cinco milhões de leitores, das classes A e B, com maioria de leitores homens, na faixa etária até 39 anos e mais concentrados na Baixada e na Zona Oeste da cidade. Procura trabalhar com matérias factuais, em uma linguagem bem-humorada e leve, na linha investigativa, apresentadas em série, o que fideliza o leitor. A cam-panha de re-lançamento atuou em vá-rias mídias. Recentemente, lançou o selo Fique Vivo de cunho social, que visa sen-sibilizar a so-ciedade para temas como violência, delinqüência etc., se prestando para campanhas no combate à bebida, drogas etc.

O jornal Meia Hora, por sua vez, foi criado há um ano para suprir a lacuna da população de baixa renda que não tinha como adquirir outros jornais. É um tablóide, com tiragem de 300 mil exemplares, o que surpreendeu o Grupo porque o carioca não tem hábito de ler jornais nesse formato. Ao contrário do que se pensava, Meia Hora não tirou o público de O Dia, porque se destina à classe C e em menor escala à B, formado por leitores homens, até 39 anos, do Centro do Rio e de Niterói. O jornal vendeu o dobro do que seu concorrente Expresso (O Globo), em um ano. Foi lançado sem promoção atrelada e só apoiado na mídia externa (outdoors, busdoors, bikedoors etc.).

A última, mas não menos importante, apresentação da Semana de Comunicação coube à Cristina Corrêa, gerente do Departamento de Comunicação da Nasajon Sistemas. Ela entrou para a empresa como assessora de imprensa e, com o aumento da demanda interna, começou a acumular funções e criou o Departamento que atualmente gerencia.

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Cristina Corrêa (NASAJON)
A Nasajon é uma empresa totalmente brasileira, com 25 anos de existência, dedicada a desenvolver softwares empresariais para gerenciamento administrativo, contábil, RH, fiscal, com filiais em vários estados.

A partir de 1999, a empresa sentiu a necessidade de melhorar sua comunicação com clientes e funcionários, reformulando para isso a linguagem de seus manuais e helps dos programas. Além disso, criou nova identidade visual para os produtos e um Departamento de Comunicação para gerenciar o setor. 

Todavia, o trabalho do Departamento de Comunicação superou as expectativas e passou a contribuir para a valorização da equipe in-terna de fun-cionários, por meio da criação de jornais, murais, intranet, boletins e toda sorte de mídias que propiciassem a integração dentro das filiais e entre as diversas filiais. Nessa linha, ainda, visando o público interno, a empresa desenvolveu um software gratuito – Libro – que facilita a administração doméstica e até de pequenas empresas. Esse fato gerou o interesse da mídia e concedeu à empresa um espaço valioso para sua marca, vinculando-a a preocupações sociais.

A experiência de Cristina Corrêa mostra que até mesmo em empresas cuja atividade está muito distante do que se considera uma função jornalística há chance para a atuação de jornalistas e publicitários, uma vez que lidamos com matéria-prima fundamental à espécie humana: a linguagem e a necessidade de informar e obter conhecimento. Sem esse elemento, ou se ele não for adequado, nossa sociedade perece.

Além das palestras, foi organizado uma feirinha de livros de várias editoras no Pátio Vermelho.

O encerramento foi feito pela professora Thaís Lima que agradeceu aos palestrantes, à equipe de alunos organizadores e aos presentes. Thais lembrou que os perderam as palestras desperdiçaram uma excelente oportunidade de conhecer um pouco melhor a profissão que estão abraçando. “Em um mercado competitivo como o nosso, só vence quem se dedica. Não há mágica, apenas o empenho leva à conquista”, finalizou ela .

Expediente

Jornal Laboratório do Curso de Comunicação da Universidade Candido Mendes – Campus Tijuca

Edição Especial da IV Semana de Comunicação, novembro de 2006.

 

Pró-reitor de Coordenação e Expansão

Prof. Alexandre Gazé

Diretor do Campus Tijuca

Prof. Rogério Tupinambá

Coordenador Geral do Curso de Comunicação

Prof. Marco Larosa

Coordenação do Curso de Comunicação, Unidade Tijuca

Profa. Thais Lima

Coordenação Técnica de Comunicação

Prof. Alexandre Gazé Filho

Reportagem, Redação, Diagramação,  Tratamento de Imagens

Heloisa Brown, 4o  período.

Fotos Internas

Alunos Comunicação Social